“Once upon a time there lived in Berlin, Germany, a man called Albinus. He was rich, respectable, happy; one day he abandoned his wife for the sake of a youthful mistress; he loved; was not loved; and his life ended in disaster.”

Vladimir Nabokov é, sem dúvida, o meu autor preferido.

O meu love affair com Nabokov começou na faculdade (já conhecia Lolita mas nunca tinha lido) através da sugestão de leitura de Luís Quintais, meu professor, antropólogo e poeta. Após ter lido Lolita, parti à descoberta de outras narrativas do mesmo autor, tendo lido The Real Life of Sebastian Knight, o que se revelou – sem dúvida – como o melhor livro que alguma vez li. Passei um verão inteiro a ler as restantes obras, e recentemente reli Laughter in the Dark – Riso na escuridão.

A primeira versão inglesa deste livro teve como título Camara Obscura, porém Nabokov não gostou da tradução e mais tarde relançou o livro traduzido por ele próprio com o nome Laughter in the Dark, um título genialmente adequado à obra. Afirmava que era o pior livro dele. Como já perceberam, eu adorei; é um história por vezes cómica mas ao mesmo tempo cruel. Acaba de forma devastadora para a personagem principal.

A história, de forma resumida, relata a relação de um homem de meia idade (Albinus) com uma jovem atriz (Margot). A ideia assemelha-se a Lolita, mas Laughter in the Dark foi uma obra escrita e lançada antes do maior clássico de Nabokov.

Albinus é um crítico de arte de meia idade, homem respeitado e de poder, vive em Berlim e é casado com Elizabeth. Apaixona-se por Margot, uma jovem aspirante a atriz, e a partir desse ponto começa a história de sugar daddy. Albinus deixa a mulher e a filha e fica com Margot, e “loved; was not loved; and his life ended in disaster”. Margot usa-o pelo poder e dinheiro; ao mesmo tempo tem um caso com Rex, um pintor, e ambos se aproveitam da tragédia e da escuridão de Albinus, após um acidente, o que resulta numa tortura cómica e ao mesmo tempo avassaladora. Eles aproveitam-se da desvantagem de Albinus; cego, perdeu a conexão da realidade; ele não sabe que Rex está na mesma casa que ele e Margot, e é consequentemente torturado e roubado pelos dois. Ele ouve vozes, tosse, barulho vindo de Rex, mas é levado a acreditar que está a ficar maluco.

Albinus é “resgatado” e planeia assassinar Margot, por ter sido a causadora do fim dele. Como uma pistola na mão de um cego não é a melhor ideia, não se esperava um bom final para Albinus. O fim do livro – e de Albinus – é rápido; a própria leitura transmite adrenalina.

“The hand he was catching twisted the pistol free and he felt the barrel prod him; and, together with a faint detonation that seemed miles away, in another world, there came a stab in his side which filled his eyes with a dazzling glory.”

Vale a pena ler esta obra centrada no triângulo amoroso Albinus-Margot-Rex; Nabokov, em duas linhas, apresenta o início e o fim da história – primeiro parágrafo – mas vale a pena pegar no livro e encantar-se com a narrativa, tão leve e de fácil leitura, com muito humor negro e sátira à mistura.

Sem dúvida, é um daqueles livros que só se pousa ao ler a última linha, é cativante e perfeito para quem gosta de uma boa história que não acaba bem.

5/5

 

 

 

 

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